Mas diferente de ser noiva, ser mãe é algo mais demorado. É tipo assim, pra sempre, né? E até a Duda deixar de ser bebê, depois de ler bastante e ver muitos vídeos sobre desenvolvimento de crianças, educação, alimentação e muito papo para tirar dúvidas, pedir ajuda, desabafar e ouvir desabafos de outras mães, isso também começou a me cansar. As pesquisas e leituras continuaram, claro, mas as conversas ficaram cada vez mais sacais, pois comecei a ver um lado obscuro da maternidade: a rivalidade inconsciente entre mães.
Sim, é inconsciente, pois acontece até entre amigas. E muitas vezes não é proposital. É surgir um assunto em comum que todas, automaticamente, começam a dar seus testemunhos em tom de comparação, competição e julgamento. Uma crítica disfarçada de conselho, um pitaco com cara de ajuda e por aí vai. Não tem como fugir. E isso não é por maldade, mas as próprias mães que só escutam, acabam comparando sua forma de ser mãe e suas escolhas com as das outras. E por que isso não pode ser algo saudável? Porque TODA MÃE se culpa. O simples testemunho de uma mãe que conseguiu amamentar por 2 anos e esbraveja aos quatro ventos como foi difícil, mas ela conseguiu, é o suficiente para diminuir a outra que tentou em vão e não passou do primeiro mês.
Existe sim, uma cobrança velada. Se na vida em geral isso já rola, imagina na vida materna, que tem o triplo de cobranças, tanto na família, como na sociedade e consigo mesma. Toda mãe, sem exceção, está sempre se questionando se não poderia fazer melhor. E o sucesso de outra, seja no quesito que for, já dói o bastante.
Claro que não vamos deixar de trocar ideias, conversar ou desabafar umas com as outras. Mas isso deve ser feito com o máximo de empatia possível. A grande maioria só quer esbravejar o quanto acertou em determinada coisa e, além de não ouvir, de verdade, os lamentos da colega, também prefere omitir os próprios erros pra não demonstrar fraqueza e impotência. E aí a conversa vira uma grande bola de neve de depoimentos intensos e uma competitividade implícita.
A impotência, inclusive, é uma companheira real na vida de muitas mães e, sem dúvida, um dos sentimentos mais dolorosos. É ela que nos dá aquela sensação de frustração depois de tentar algo até onde sua sanidade permitiu e não conseguir. É ela a mãe de todas as culpas. É ela que, ao ouvir a amiga bater no peito e se orgulhar de não ter dado açúcar pro filho - que sempre comeu super bem - até os 4 anos de idade, faz você se sentir um desastre por ter oferecido sorvete pra sua filha de 1 ano e meio que, depois de meses de desespero por ela não comer nada direito, finalmente colocou algo no estômago com gosto e sem dar piti. É a impotência que nos deixa com um nó na garganta ao lembrar que você teve que colocar seu filho de 5 meses em frente à TV para conseguir lavar uma pilha de louça e fazer o almoço, porque ele não aceita ficar quieto em lugar nenhum sem gritar, que não fosse no seu colo ou vendo a Galinha Pintadinha.
Como eu sempre digo, é muito fácil falar que a vida é linda quando se é feliz. Difícil é reconhecer a felicidade quando está tudo uma droga. É fácil falar de autoaceitação e amor próprio quando se tem um corpo sarado e se está dentro dos padrões. É muito fácil se dizer uma mãe incrível quando não é seu filho que está esperneando no shopping. Tenhamos mais compaixão umas com as outras, pois eu tenho certeza de que algum perrengue você já passou ou vai passar. E, principalmente, vamos parar de se responsabilizar por tudo, tanto pelo fracasso como pelo sucesso. À vezes você só teve mesmo sorte.
Eu tenho dois filhos. Um sempre dormiu muito bem e acordou tarde, mas deu muito trabalho na alimentação. O outro come tudo que vê pela frente, mas acorda pelo menos duas vezes todas as noites e desperta antes das 6h30 da manhã. Sabe o que isso quer dizer? Nada. Então, vamos parar de apontar para as mães onde elas deveriam ter feito diferente ou no que elas erraram. Tenha certeza de que ela já se questiona isso TODOS OS DIAS.
A maternidade é linda. O mundo materno é cruel.
Nenhum comentário:
Postar um comentário