Ultimamente tenho sentido vontade de escrever sobre a Maria Eduarda. Sobre como tem sido vê-la crescer e já perceber vários traços da sua personalidade. E mais: de como essa personalidade que surge na minha frente tem me deixado feliz.Duda é uma menina segura de si. Adaptou-se fácil na escola, numa turma nova, numa sala nova e com tias novas. Ela vê a escola como um lugar de alegria, cheio de novidades, e o melhor: com crianças com quem brincar. Ela ama crianças.
Ela não é uma bebê dengosa e chorona. Também não é muito carinhosa. Os momentos em que ela expressa carinho são, geralmente, ensinados por nós. Pedimos sempre para ela mandar beijos e dar abraços. E quando ela demonstra voluntariamente é uma graça!
Concentração não é muito o forte dela. Facilmente ela se distrai e se entedia com as atividades e com os objetos. É uma luta diária fazê-la sentar, parar e focar em algo por mais de 1 minuto. Em compensação é muito fácil distraí-la quando precisamos fazê-la esquecer de querer algo proibido ou um momento de frustração.
Duda é ativa, agitada, inquieta, curiosa e falante. Às vezes chego a pensar que ela é hiperativa, mas sei que pode ser uma fase ou que seja apenas o jeito dela. E mais: ela não anda, ela corre.
Apesar de não demonstrar carinho fácil, ela é extremamente sociável. Sai pelo shopping acenando para as pessoas, se aproxima rápido de outras crianças com um sorriso no rosto como quem chama pra brincar. Não tem timidez nem tempo ruim pra ela.
Ela é forte e resistente à dor. Cai o tempo todo, bate a cabeça... Geralmente a gente espera logo um chororô, mas ela levanta só, bate as mãozinhas e segue o rumo. Quando choraminga, logo a gente verifica se não foi nada grave, distrai com algo e ela já esquece.
Está na fase da esponja, em que absorve e repete tudo o que a gente faz e fala. Tem sido super engraçado detectar essas repetições. Ao mesmo tempo, estamos mais alertas para não fazer nada que a gente não queira que ela aprenda. Chegou, finalmente, o momento em que começamos a educá-la pelo exemplo.
Voltando para as alegrias que ela tem me dado, lembrei de um fato que ocorreu esses dias e que me fez refletir. Estávamos em uma loja aguardando minha mãe ser atendida quando, pra variar, Duda começou a correr pelo estabelecimento. Num dos pontos que ela percorreu havia um carrinho com um bebê muito fofo, que já devia ter perto de um ano. Duda se encantou com ele e fincou os pés do lado do carrinho, sorrindo e gritando "Neném! Neném!" Ela fez carinho nele, mandou beijo, tentou abraçá-lo....
O detalhe que me fez refletir foi o fato de o bebê ser negro. Diante de tantos casos absurdos que temos visto ultimamente, eu vi na prática como a crueldade, o preconceito e a ignorância das pessoas são adquiridos culturalmente e por meio de péssimos exemplos, pois nós nascemos realmente puros e ilesos a todas essas "mazelas". A vontade que me veio na hora foi de proteger a Duda, com toda a minha força, de qualquer coisa ou pessoa que possa corromper essa pureza e humanidade que ela tem hoje. E aí eu acho que a questão do exemplo entra como uma arma fortíssima! Eu sou prova viva disso, pois tive grandes exemplos em casa. E agora essa missão segue adiante por mais uma geração.
E vamo que vamo!
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