Esta semana, enquanto agonizava (de cansaço e raiva de estar ali) na academia, ouvi um podcast sobre maternidade com o título "Mãe é Tudo Igual?". Três mulheres falavam sobre os tipos de mães. Vários tipos foram detectados, a conversa era engraçada e descontraída. Ao final, concluindo o debate, uma delas questiona, afinal, se toda mãe é igual, quando uma sabiamente responde: "Todas são neuróticas". "Como assim? Eu não sou!", retruca a outra. "Toda mãe é neurótica. Cada uma com algo diferente. Mas todas são", explicou a primeira. E eu fiquei com aquilo na cabeça.
Qual a minha neurose? Até então eu também não me considerava neurótica. Muito pelo contrário. Prática como eu sou, isso nunca me passou pela cabeça. Mas aí eu fui refletindo mais, lembrando do meu comportamento com a Duda, de casos e mais casos, e cheguei à conclusão de que sou a neurótica da educação e da disciplina.
Vejamos: quando uma pessoa é definida como neurótica, geralmente é porque ela se destaca exageradamente por alguma neura/loucura. Ela chama atenção e causa um certo choque para quem está ao redor. E aí fui lembrando dos olhares de reprovação e crítica que coleciono desde que minha filha nasceu. Sim, olhares, porque falar mesmo a galera que me conhece tem medo (e que maravilha, não?).
As vezes que isso aconteceu, eu fui meio que chamada de "ruim" e o olhar que recebi foi de "ow, Manu... a bichinha." Dia desses, numa festinha infantil, uns meninos jogavam futebol com uma bola que até pouco antes a Duda brincava, mas esqueceu e eles, claro, pegaram. Do nada, ela quis de volta e começou a chorar copiosamente. Eu disse que não daria, que agora outras crianças estavam brincando e ela tinha que esperar. O escândalo foi tanto que a mãe de um dos meninos mandou eles darem a bola pra ela. De imediato eu disse que não, enquanto consolava a chorona. A mãe insistiu e eu insisti mais, dizendo que eles não tinham que parar a brincadeira só por causa dela. O choque foi nítido e o clima ameaçou ficar desconfortável, mas eu logo contornei com uma piada e jogo de cintura. E a Duda ainda chorando em alto e bom som.
Lembro também dela bebezinha no Outback. Tinha meses. Íamos jantar/almoçar, ela dormia e ficava no carrinho enquanto a gente comia em paz com a família ou os amigos. Quando muito de repente, apareciam uns seis garçons na mesa ao lado e começavam a cantar parabéns no susto e muito alto. Quem já viu essa cena sabe bem como é. Sempre (SEMPRE!) que isso acontecia, alguém que estava com a gente ficava revoltadíssimo e mandava os garçons pararem ou falarem baixo porque tinha uma criança pequena dormindo. O que?? Nada disso! Pode continuar! Nós somos minoria aqui e esse é o trabalho diário deles. Pode continuar que eu me viro aqui se ela acordar. E sabe o que mais? Ela nunca acordou! Me mata de orgulho!
Duda também sempre foi meio "descompensada". Se taca nas coisas, esbarra nas pessoas, não olha por onde anda e vive caindo. Devo ter levantado ela sozinha dessas quedas uma meia dúzia de vezes. Quando ela cai em público então, sempre vem alguém desesperado pra socorrer como se ela fosse morrer ali. E eu só olhando pra ver se ela machucou mesmo (até porque depois que cai, não tem mais como eu impedir qualquer arranhão, né? Já foi). Aí observo e se não tiver machucado, eu - ainda no "alto" dos meus 1,65m - digo pra ela levantar, limpar as mãos e seguir em frente. Uma metáfora maravilhosa para "sacode a poeira e dá a volta por cima". Depois eu sinto o olhar ferino do "socorrista" me julgando como a pior mãe do mundo.
São coisas pequenas, atitudes simples como essas que formam o ser humano que eu estou criando. Aceito errar em qualquer aspecto, menos nesse. Deixo comer com a mão suja, dormir sem escovar os dentes, brincar no chão quente, jantar sorvete, pegar vento nas costas... Mas ter privilégios, se sentir melhor que os outros e ser egoísta, isso não! Isso pra mim é inadmissível. Seria a prova concreta do meu fracasso enquanto mãe.
Nós estamos criando nossos filhos 24 horas do dia. Todo e qualquer movimento, atitude ou palavra nossa está formando o ser humano que vai fazer desse mundo um lugar melhor pra ele mesmo viver. Essa é minha neurose. Esse é meu desejo mais verdadeiro e ele só depende de mim.
sexta-feira, 18 de novembro de 2016
terça-feira, 20 de setembro de 2016
DeliciousTwo
E ela vai completar 2 anos. Uma fase difícil, confesso. Pior
ainda quando se tem uma menina autêntica e de personalidade irritantemente
forte e passional. Mas também de uma autoestima e segurança impressionantes.
Sociável, carinhosa, curiosa, inquieta e ativa, Maria Eduarda é surpreendentemente
apaixonante. Em todo lugar que vamos, ela logo centraliza as atenções, faz
amizade fácil, é desenrolada, bem resolvida e “despachada”, como eu ouço muito.
Não poderia estar criando um ser humano mais incrível! Do tipo que eu,
sinceramente, mais admiro.
Filha, é tanto orgulho que eu sinto de nós! De você, por
estar crescendo tão lindamente, e de mim, por estar cultivando e fortalecendo
esse “ser humaninho”. Há também muitos momentos difíceis. Momentos em que eu me
envergonho pela falta de paciência e de calma para lidar com alguns desafios.
Mas eu te peço perdão e compreensão. Eu estou aprendendo com você. Desde que me
entendo por gente luto para ser mais paciente e só você está conseguindo me
ensinar isso com tanta força. Só você foi capaz de causar um reboliço tão
grande e necessário na minha vida. Obrigada por ter vindo ao mundo! Mais ainda
por ser minha filha. Ser sua mãe tem me proporcionado um autoconhecimento que
terapia nenhuma seria capaz.
Tenho total certeza que estou no rumo certo. Tenho tranquilidade em dizer que estou sendo o modelo de mãe que idealizei, mesmo com
todos os defeitos. Afinal, aprendi muito cedo que mãe não é um ser perfeito, e
nem deve ser. Que nossos filhos aprendem até com nossos erros. Eu quero mesmo é
que você me enxergue como um ser humano que cai, mas que levanta com dignidade
e respeito ao outro. E assim você vai repetir naturalmente, como você repete
tudo o que a gente fala. Que essa sua autenticidade e seu gênio forte sirvam para
você lutar pelo que quer e, mais ainda, para se impor em todo e qualquer lugar
que vá. Que você não seja mais uma “princesinha da Disney”. Que você seja uma
super-heroína! Uma guerreira que faz o que bem quer e o que te deixa verdadeiramente
feliz. Sempre.
Eu sei que muita gente me acha meio chata e exigente com você.
Mas sabe... Acho que no fundo muitos queriam ter
essa força e não têm. Porque não conseguem ver que aquela bronca, aquele “não”,
vai fazer uma diferença gigantesca na sua vida lá na frente. Eu não tenho
peninha de você. Não te acho uma coitadinha quando você chora por birra, porque
quer algo que não pode ou porque levou um “não” merecido, nem te inferiorizo
com a desculpa de que você é “só um bebê”. Eu sou sua mãe e tenho, por dever,
fazer tudo para te transformar no melhor ser humano do mundo. Isso é muito claro e natural pra mim. E meu colo sempre
vai estar aqui. Você sabe bem disso, pois é o primeiro pro qual você corre
quando se sente triste. É por ele que você chama quando sente dor. E vai
continuar sendo. E esse colo também é cheio de ensinamentos, respeito, franqueza,
amizade, parceria, cumplicidade e, acima de tudo, de amor. E eu sei que estou
fazendo o meu melhor.
Filha, uma doce libriana com ascendente em escorpião não
poderia ser de outro jeito. Uma mistura doida que resultou na maluquinha que
você é! Ainda vamos brincar muito, filha! Vamos dançar, viajar, comer coisas
gostosas, cozinhar, fazer festas... viver intensamente! Você não imagina o
tanto de vida e felicidade que temos pela frente! Eu vejo claramente! Te amo
infinito!! Seja feliz pra sempre!!
segunda-feira, 9 de maio de 2016
Maternidade
Falar sobre maternidade sem cair nos clichês e sem ser repetitiva é difícil. Um desafio pra mim, que odeio ser redundante e dizer mais do mesmo. Mas eu tento. Vamos lá!
Ontem foi meu segundo dia das mães com a Duda. Um dia, como muitos dizem, meramente comercial. Ok, beleza. Mas se não fosse isso, quando pararíamos um momento sequer pra refletir sobre a importância das nossas mães e homenageá-las? Se você já é mãe, sabe do que eu estou falando. Se não é, acredite: as mães merecem e precisam desse dia.
Quanto mais o tempo passa, mais certeza eu tenho de que a maternidade não é pra qualquer uma. Mais eu respeito as mulheres que optam por não serem mães. É o maior exemplo de altruísmo que um ser humano é capaz de viver. E mesmo assim, há ressalvas, porque nós necessitamos ser reconhecidas e homenageadas sim. Sem hipocrisia. Não há melhor sensação, depois de um dia todo se doando, se cansando, batalhando, trabalhando e cuidando de um ser humano, do que receber um abraço, um beijo e um 'eu te amo'. Nós também temos interesse em receber algo em troca por tudo o que fazemos. A diferença é que o que nos satisfaz é algo bem pequeno. É só mesmo esse abraço, esse beijo e esse 'eu te amo'. Nada mais.
Quando alguém me confidencia que está em dúvidas se quer ou não ser mãe, sou bem enfática: se você não tem certeza absoluta se isso é um desejo do fundo do seu coração, não seja. É uma mudança de vida muito brusca, e não só na prática, mas principalmente em todas as suas emoções. Mexe dentro de você, dos seus mais íntimos sentimentos e confusões mentais. Aquelas que todo ser humano tem. É um reboliço e é preciso ter muita certeza do que se está fazendo.
É bem recorrente ver mulheres encantadas com a maternidade olhando pelo viés da fofura de um bebê, dos trabalhos cotidianos de amamentar, dar banho, brincar... Mas se tem uma coisa que muita gente não se dá conta, é que ser mãe não é cuidar de uma criança, é criar um ser humano. É um projeto a longo prazo. Cuidar é delicioso, mas qualquer um cuida. Há pessoas pagas pra isso. Educar, transformar uma criança num adulto... são outros quinhentos e quase ninguém lembra dessa parte, que é, definitivamente, o real sentido da maternidade.
O que lasca é que eles saem de dentro da gente (seja do útero ou do coração) e a gente vira suspeita pra tudo. É difícil ser imparcial, reconhecer os defeitos deles e não querer entregar o peixe em vez de ensiná-los a pescar, por exemplo. Policio-me o tempo todo. É comum ver a Maria Eduarda tentando resolver os pequenos probleminhas da vida dela, alguém chegar e querer fazer por ela e eu dizer "Deixa! Ela tem que tentar sozinha!" E eu fico observando e disponível caso ela precise.
É uma linha muito tênue que divide nossas intervenções nesses momentos. Mas tem que ter muita convicção do tipo de mãe que você quer ser. Todas dão seu melhor. Ok, algumas nem tanto, o que me entristece (pra não dizer, revolta) profundamente. Afinal, esses pequenos seres não escolheram nascer e são cheios de pureza e amor pra dar. A presença materna, nem que seja aquela no fim do dia, pra dar o jantar, o banho e colocar pra dormir, vai fazer uma diferença gigantesca na vida da criança. Um ser humano seguro e confiante, por mais problemas que ele tenha, é fácil de detectar. E geralmente é por causa da base de família e da presença materna/paterna que ele teve. Quantas vezes precisei trabalhar até mais tarde ou tive algum compromisso à noite, e cheguei já na hora que ela ia pra cama? Corri, troquei de roupa e fui deitar com ela, contar historinha e ficar lá até ela pegar no sono. No fundo, o que meu corpo cansado pedia era um banho, um prato de comida e sossego. Mas eu não podia. Eu tinha que ficar com ela nem que fosse aqueles 20 minutinhos pra ela terminar o dia do meu lado.
Uma das qualidades da Duda que mais me orgulham é exatamente a segurança dela. Segurança de enfrentar seus pequenos desafios do dia a dia com calma, tranquilidade e certa de que ela pode ultrapassá-los.
Para nós adultos parece besteira, mas o simples fato de pegar num cachorrinho que dá um pouco de medo, sentar sozinha numa cadeira mais alta ou experimentar um alimento novo são grandes problemas pra ela. Até uma queda mais brusca deve ser encarada de forma que eu passe a confiança que ela precisa pra não fazer um escândalo sempre que cair. Caiu, levantou. E vamos em frente. Se machucar, eu estou bem ao lado pra dar um abraço, confortar e fazer sarar.
Transforme todos esses exemplos em situações sérias da vida adulta e você começará a ter uma noção do projeto a longo prazo que eu falei. Fora isso, a relação de amizade, empatia e intimidade que você está formando entre você e seu filho irá lhe trazer inúmeros benefícios quando ele for mais velho, como um diálogo aberto e prazeroso entre vocês.
E mais: tenha memória! Ela pode fazer milagres! Nunca esqueça que você já foi do tamanho dele, seja a idade que for. Tente sempre lembrar de como você se sentia em certas situações, o que você desejava ouvir nesses momentos, como você gostaria de ser tratado, etc. Na verdade, esse é um conselho que eu dou pra todo mundo em qualquer coisa. Ponha-se sempre no lugar do outro e tente lembrar de quando era com você. Muitas relações entre pais e filhos, sogras e genros/noras etc., poderiam ser salvas apenas pelo uso da memória.
Enfim, é um trabalho diário, exaustivo, repetitivo e que é compensado pelo imenso amor que a gente sente. Pela felicidade que a gente presencia só de vê-los sorrindo. E mais ainda: de vê-los se tornando o ser humano que você idealizou e que fará uma diferença positiva no mundo.
E novamente, eu digo: só seja mãe se isso for um desejo do fundo do seu coração. Eu quis isso a minha vida inteira, nunca tive dúvidas e ainda é difícil, confuso, cansativo e, muitas vezes, doloroso. Mas saber que eu tenho alguém que é meu, que eu posso ver crescendo, se transformando e pelo qual eu sou a maior responsável pela felicidade, me dá um poder e uma sensação de divindade enormes. E no fim do dia, um beijinho de boa noite já fez tudo valer a pena.
Ontem foi meu segundo dia das mães com a Duda. Um dia, como muitos dizem, meramente comercial. Ok, beleza. Mas se não fosse isso, quando pararíamos um momento sequer pra refletir sobre a importância das nossas mães e homenageá-las? Se você já é mãe, sabe do que eu estou falando. Se não é, acredite: as mães merecem e precisam desse dia.
Quanto mais o tempo passa, mais certeza eu tenho de que a maternidade não é pra qualquer uma. Mais eu respeito as mulheres que optam por não serem mães. É o maior exemplo de altruísmo que um ser humano é capaz de viver. E mesmo assim, há ressalvas, porque nós necessitamos ser reconhecidas e homenageadas sim. Sem hipocrisia. Não há melhor sensação, depois de um dia todo se doando, se cansando, batalhando, trabalhando e cuidando de um ser humano, do que receber um abraço, um beijo e um 'eu te amo'. Nós também temos interesse em receber algo em troca por tudo o que fazemos. A diferença é que o que nos satisfaz é algo bem pequeno. É só mesmo esse abraço, esse beijo e esse 'eu te amo'. Nada mais.
Quando alguém me confidencia que está em dúvidas se quer ou não ser mãe, sou bem enfática: se você não tem certeza absoluta se isso é um desejo do fundo do seu coração, não seja. É uma mudança de vida muito brusca, e não só na prática, mas principalmente em todas as suas emoções. Mexe dentro de você, dos seus mais íntimos sentimentos e confusões mentais. Aquelas que todo ser humano tem. É um reboliço e é preciso ter muita certeza do que se está fazendo.
É bem recorrente ver mulheres encantadas com a maternidade olhando pelo viés da fofura de um bebê, dos trabalhos cotidianos de amamentar, dar banho, brincar... Mas se tem uma coisa que muita gente não se dá conta, é que ser mãe não é cuidar de uma criança, é criar um ser humano. É um projeto a longo prazo. Cuidar é delicioso, mas qualquer um cuida. Há pessoas pagas pra isso. Educar, transformar uma criança num adulto... são outros quinhentos e quase ninguém lembra dessa parte, que é, definitivamente, o real sentido da maternidade.
O que lasca é que eles saem de dentro da gente (seja do útero ou do coração) e a gente vira suspeita pra tudo. É difícil ser imparcial, reconhecer os defeitos deles e não querer entregar o peixe em vez de ensiná-los a pescar, por exemplo. Policio-me o tempo todo. É comum ver a Maria Eduarda tentando resolver os pequenos probleminhas da vida dela, alguém chegar e querer fazer por ela e eu dizer "Deixa! Ela tem que tentar sozinha!" E eu fico observando e disponível caso ela precise.
É uma linha muito tênue que divide nossas intervenções nesses momentos. Mas tem que ter muita convicção do tipo de mãe que você quer ser. Todas dão seu melhor. Ok, algumas nem tanto, o que me entristece (pra não dizer, revolta) profundamente. Afinal, esses pequenos seres não escolheram nascer e são cheios de pureza e amor pra dar. A presença materna, nem que seja aquela no fim do dia, pra dar o jantar, o banho e colocar pra dormir, vai fazer uma diferença gigantesca na vida da criança. Um ser humano seguro e confiante, por mais problemas que ele tenha, é fácil de detectar. E geralmente é por causa da base de família e da presença materna/paterna que ele teve. Quantas vezes precisei trabalhar até mais tarde ou tive algum compromisso à noite, e cheguei já na hora que ela ia pra cama? Corri, troquei de roupa e fui deitar com ela, contar historinha e ficar lá até ela pegar no sono. No fundo, o que meu corpo cansado pedia era um banho, um prato de comida e sossego. Mas eu não podia. Eu tinha que ficar com ela nem que fosse aqueles 20 minutinhos pra ela terminar o dia do meu lado.
Uma das qualidades da Duda que mais me orgulham é exatamente a segurança dela. Segurança de enfrentar seus pequenos desafios do dia a dia com calma, tranquilidade e certa de que ela pode ultrapassá-los.
Para nós adultos parece besteira, mas o simples fato de pegar num cachorrinho que dá um pouco de medo, sentar sozinha numa cadeira mais alta ou experimentar um alimento novo são grandes problemas pra ela. Até uma queda mais brusca deve ser encarada de forma que eu passe a confiança que ela precisa pra não fazer um escândalo sempre que cair. Caiu, levantou. E vamos em frente. Se machucar, eu estou bem ao lado pra dar um abraço, confortar e fazer sarar.
Transforme todos esses exemplos em situações sérias da vida adulta e você começará a ter uma noção do projeto a longo prazo que eu falei. Fora isso, a relação de amizade, empatia e intimidade que você está formando entre você e seu filho irá lhe trazer inúmeros benefícios quando ele for mais velho, como um diálogo aberto e prazeroso entre vocês.
E mais: tenha memória! Ela pode fazer milagres! Nunca esqueça que você já foi do tamanho dele, seja a idade que for. Tente sempre lembrar de como você se sentia em certas situações, o que você desejava ouvir nesses momentos, como você gostaria de ser tratado, etc. Na verdade, esse é um conselho que eu dou pra todo mundo em qualquer coisa. Ponha-se sempre no lugar do outro e tente lembrar de quando era com você. Muitas relações entre pais e filhos, sogras e genros/noras etc., poderiam ser salvas apenas pelo uso da memória.
Enfim, é um trabalho diário, exaustivo, repetitivo e que é compensado pelo imenso amor que a gente sente. Pela felicidade que a gente presencia só de vê-los sorrindo. E mais ainda: de vê-los se tornando o ser humano que você idealizou e que fará uma diferença positiva no mundo.
E novamente, eu digo: só seja mãe se isso for um desejo do fundo do seu coração. Eu quis isso a minha vida inteira, nunca tive dúvidas e ainda é difícil, confuso, cansativo e, muitas vezes, doloroso. Mas saber que eu tenho alguém que é meu, que eu posso ver crescendo, se transformando e pelo qual eu sou a maior responsável pela felicidade, me dá um poder e uma sensação de divindade enormes. E no fim do dia, um beijinho de boa noite já fez tudo valer a pena.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Sobre personalidade e exemplo
Ultimamente tenho sentido vontade de escrever sobre a Maria Eduarda. Sobre como tem sido vê-la crescer e já perceber vários traços da sua personalidade. E mais: de como essa personalidade que surge na minha frente tem me deixado feliz.Duda é uma menina segura de si. Adaptou-se fácil na escola, numa turma nova, numa sala nova e com tias novas. Ela vê a escola como um lugar de alegria, cheio de novidades, e o melhor: com crianças com quem brincar. Ela ama crianças.
Ela não é uma bebê dengosa e chorona. Também não é muito carinhosa. Os momentos em que ela expressa carinho são, geralmente, ensinados por nós. Pedimos sempre para ela mandar beijos e dar abraços. E quando ela demonstra voluntariamente é uma graça!
Concentração não é muito o forte dela. Facilmente ela se distrai e se entedia com as atividades e com os objetos. É uma luta diária fazê-la sentar, parar e focar em algo por mais de 1 minuto. Em compensação é muito fácil distraí-la quando precisamos fazê-la esquecer de querer algo proibido ou um momento de frustração.
Duda é ativa, agitada, inquieta, curiosa e falante. Às vezes chego a pensar que ela é hiperativa, mas sei que pode ser uma fase ou que seja apenas o jeito dela. E mais: ela não anda, ela corre.
Apesar de não demonstrar carinho fácil, ela é extremamente sociável. Sai pelo shopping acenando para as pessoas, se aproxima rápido de outras crianças com um sorriso no rosto como quem chama pra brincar. Não tem timidez nem tempo ruim pra ela.
Ela é forte e resistente à dor. Cai o tempo todo, bate a cabeça... Geralmente a gente espera logo um chororô, mas ela levanta só, bate as mãozinhas e segue o rumo. Quando choraminga, logo a gente verifica se não foi nada grave, distrai com algo e ela já esquece.
Está na fase da esponja, em que absorve e repete tudo o que a gente faz e fala. Tem sido super engraçado detectar essas repetições. Ao mesmo tempo, estamos mais alertas para não fazer nada que a gente não queira que ela aprenda. Chegou, finalmente, o momento em que começamos a educá-la pelo exemplo.
Voltando para as alegrias que ela tem me dado, lembrei de um fato que ocorreu esses dias e que me fez refletir. Estávamos em uma loja aguardando minha mãe ser atendida quando, pra variar, Duda começou a correr pelo estabelecimento. Num dos pontos que ela percorreu havia um carrinho com um bebê muito fofo, que já devia ter perto de um ano. Duda se encantou com ele e fincou os pés do lado do carrinho, sorrindo e gritando "Neném! Neném!" Ela fez carinho nele, mandou beijo, tentou abraçá-lo....
O detalhe que me fez refletir foi o fato de o bebê ser negro. Diante de tantos casos absurdos que temos visto ultimamente, eu vi na prática como a crueldade, o preconceito e a ignorância das pessoas são adquiridos culturalmente e por meio de péssimos exemplos, pois nós nascemos realmente puros e ilesos a todas essas "mazelas". A vontade que me veio na hora foi de proteger a Duda, com toda a minha força, de qualquer coisa ou pessoa que possa corromper essa pureza e humanidade que ela tem hoje. E aí eu acho que a questão do exemplo entra como uma arma fortíssima! Eu sou prova viva disso, pois tive grandes exemplos em casa. E agora essa missão segue adiante por mais uma geração.
E vamo que vamo!
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