segunda-feira, 7 de abril de 2014

Simplesmente

E aí você se pega chorando e se sentindo a pessoa mais esquecida do mundo. E parece que nada faz passar. Só piora. E uma coisa leva a outra. Um pensamento ruim puxa outro pensamento ruim. Você se sente sozinha, abandonada, feia, indisposta e chora mais. E quanto mais chora, mais vai descobrindo que o estoque de lágrimas é inesgotável. Pede desculpas pra sua filha. Diz que ela não tem culpa de nada e que não vai deixar que ela fique triste também. E chora mais. E até os traços do seu rosto mudam.

E aí você tem que procurar força em algum lugar dentro de si pra parar com isso. Porque só você mesma é capaz. Mas chora mais um pouco e engole. Lava o rosto, bebe água, deita-se. E o pé da barriga dói. Sempre que sente essa pontada, seu medo aumenta. Você quer parar de pensar. Quer zerar todos os pensamentos e dormir. Apenas dormir pra acreditar que consegue parar esse choro e que aquele ditado 'nada como um dia após o outro' tem algum sentido.

E tem. Você acorda. Os problemas não ficaram na cama. Levantaram com você. Mas você já não chora mais. Você respira fundo e lamenta. E sente raiva. Raiva de si mesma e do mundo que não te compreende. E de repente, antes tarde do que nunca, aparece um fiozinho de força que te faz mandar o mundo se lascar porque você tem, sim, o direito de chorar e ficar triste uma vezinha na vida, mesmo que não haja motivo aparente. E você sente sua filha mexendo, talvez pela primeira vez, e entende de onde esse fiozinho de força está vindo. E começa a querer viver, só você e ela. E mais ninguém. E quer abraçá-la, beijá-la, conversar besteira pra fazê-la rir, sentir que tem alguém do seu lado. Mas ainda é cedo e você volta a lembrar que não tem controle de nada, nem do seu próprio choro.

Ao mesmo tempo em que tudo isso acontece, você tem um turbilhão de coisas pra fazer e com as quais se preocupar. Tem trabalho pra fazer, gente pra cobrar, sorriso pra fingir, louça pra lavar, amigos para dar assistência. E a pontada no pé da barriga volta. É uma dor boa. Talvez seja ela pedindo pra você manter a calma e aprender a esperar, pois uma hora tudo se ajeita. Não porque simplesmente se ajeita. Porque você merece que se ajeite. Porque só você e ela sabem que nada disso é proposital. Nada disso foi pensado e planejado. Simplesmente você chorou.

3 comentários:

Belle Bento disse...

Muuuuito lindo o Blog, Manu. Acompanho sempre que dá! E, apesar de não nos conhecermos tanto, já rola uma identificação.
Parabéns! E que venham os dias!

Manu Barroso disse...

Obrigada, Belle! Que legal que vc gostou! Beijo!

Unknown disse...

Aiiii que legal...não sabia q vc estava c blog....me indentifiquei demais c essa publicação rsrs beijosss saudades