terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Pre-pa-ra!!!

Eu realmente não estava ansiosa para saber o sexo do bebê, mas minha mãe, de quem herdei a inquietação (porém num grau menor), não se conteve e me fez a irrecusável proposta de fazer o exame de sexagem fetal bancado por ela mesma. Ok, você venceu! Batata frita!

E lá fui eu, ao chegar à oitava semana de gestação, tirar alguns tubinhos de sangue para conferir se tem ou não cromossomo Y nesse útero. Foram vários tubos porque tive que fazer outros exames que a médica passou. Onze no total!

Parece que quanto mais perto e mais possível essa descoberta ficava, mais angustiada eu me via também. Era uma mistura de ansiedade e medo, pois como sempre sonhei com uma menina, não sabia como reagiria caso fosse o Gabriel.

Os seis dias úteis prometidos pelo laboratório viraram apenas cinco corridos. Prometi ao Breno que veríamos juntos e então, quando ele chegou do trabalho ontem eu logo chamei para entrarmos no site. Quando vimos só o enunciado do exame surgir na tela do computador, fiquei em choque e parei de descer a barra de rolagem. E agora? "Vai, amor!", disse o pai já agoniado. Desci e lá estava em caps lock "FEMININO" ao lado de "resultado". Eu só gritei e comecei a me tremer. Era meu sonho da vida em forma de pessoinha começando a se realizar ali. Foi tanta alegria que eu ainda questionei: "Amor, será que esse FEMININO não é o meu sexo?" Dãn!!

É ela! Minha menina vai chegar. Minha Maria Eduarda, nossa Duda. Desde os 12 anos que tenho esse nome na cabeça e nada nem ninguém me fez mudar de ideia. Um nome forte, sem frufru e frescurinha. Nome grande e de gente grande, no melhor sentido do adjetivo.

Tantos sonhos eu já tive com ela. Tantas vezes já vi a carinha. Tantos anos eu esperei e adiei. Finalmente ela vai chegar. Linda, saudável, cheia de vida. Atrevida igual à mãe e de um coração gigante igual ao do pai? Sabe-se lá! Agora tudo é especulação. Mas a certeza é de que vai ser alguém notável. Isso eu garanto.

Filha, o mundo aqui não é lá essas coisas todas para nós mulheres, mas acredite, já foi bem pior. Tomara que a sua realidade seja ainda melhor e mais justa que a minha. Que você tenha a liberdade que precisa e eu estarei lutando por ela junto com você. Você é parte de uma família essencialmente feminina. De mulheres lutadoras e que se sobressaem diante dos homens. Qualquer dificuldade vai ser fichinha pra você, que tem uma herança genética pra ninguém botar defeito. Espero que você não seja a 'princesinha'. Espero mesmo é que você seja a guerreira do castelo, que destrói todos os dragões e pra quem o príncipe encantado é um mero detalhe.

E é claro que você já tem sua música. Ela não saiu da minha cabeça hoje.



segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Desabafo (8 semanas)

Realmente a gravidez é uma fase de descobertas e surpresas. Mas não falo apenas de descobrir o amor incondicional, a preocupação com a saúde ou das surpresas da rotina com as mudanças no corpo, as primeiras sensações e o sexo do bebê. Venho descobrindo traços da minha personalidade que eu não imaginava existir e me surpreendendo demais com cada um.

Descobri que não gosto de ser o centro das atenções. Tem sido uma luta comigo mesma abrir o sorriso naquelas horas em que eu já não aguento mais responder às mesmas perguntas que chegam metralhadas por pessoas de todos os lados ao mesmo tempo. Tem sido uma tortura ficar calada depois de ouvir comentários nada a ver sobre todo e qualquer movimento que eu faço que parece "coisa de grávida". Aqueles comentários que jamais existiriam se eu não estivesse. Tudo o que eu faço agora é porque eu estou grávida. Sento diferente, ando diferente, falo diferente.... Oi?

Até semana passada um monte de gente ainda não sabia e ninguém tinha percebido nada fora normal. Mas os que sabem parece que ficaram sem assunto pra falar comigo e agora sempre enfiam comentários sobre o tema em todo diálogo.

Eu não sou mais uma mulher que trabalha, que estuda, que tem casa, marido, família, que se diverte, que viaja, que dorme, que come... Eu sou um grávida e só. Só existe esse assunto para tratar comigo. É só parto, gravidez, nome de bebê, ultrassom, enxoval, dores, enjoos, amamentação....

Como diz minha mãe, meu sobrenome é praticidade. Ok, tou grávida. Que lindo! Próximo tópico? Vocês viram que absurdo o cinegrafista que foi atingido por um rojão naquela manifestação? Como jornalista, sinto uma revolta tremenda, sabia?! E a novela das nove? Sabia que adooooro o Manoel Carlos?! E a violência em Fortaleza? Será que o próximo governador vai conseguir diminuir o número de homicídios na capital?

Que agora eu me surpreenda com a minha paciência e me descubra uma mulher cada vez mais resolvida, que sabe que não é apenas uma, mas várias mulheres em uma só e que não deixa nenhuma delas engolir nenhuma das outras. Que tenha equilíbrio, bom senso e sabedoria. Que a gravidez não me traga apenas um filho, mas o discernimento de entender que a vida é plural e não singular.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Primeiros inimigos

Antes de engravidar eu estava me alimentando super bem, comendo de 3 em 3 horas, abusando de alimentos saudáveis e ricos em fibras, frutas, saladas etc. Agora tudo o que eu menos quero ver na frente é pão e arroz integral. Incrível como só de pensar já me dá náusea. Ow mulher enjoada! Fora que cozinhar tem sido um sacrilégio! Já me peguei com a mão na massa e com vontade de vomitar ao mesmo tempo.

Nada disso é frescura, meus amigos. Era tudo verdade! O organismo realmente parece querer rejeitar alguns tipos de alimento. Minha vontade agora é de comer bombom, de preferência aqueles azedinhos tipo Bala Soft ou 7 Belo. Quero sempre comer algo bem doce ou bem salgado. Comida sem gosto de hospital nem pensar! E o mais interessante é que não estou engordando nada. Pelo contrário, ou o peso se mantém um pouco abaixo do normal ou cai um quilo. Alguém me explica?

Mas não posso cantar vitória, pois ainda tenho 7 longos e gordos meses pela frente. Só não vou me privar de comer essas porcarias. Além de me deixarem feliz, ainda ajudam a passar o enjoo.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Respirando fundo (7 semanas)

Sempre fui boa de respostas. Daquelas afiadas, diretas, sinceras e rápidas. Sempre me impus em todo lugar que vou e em todas as relações que preservo sem precisar me indispor com ninguém ou criar intrigas. Sempre tive o respeito das pessoas por ter minhas opiniões embasadas e, na maioria das vezes, fortes, mas sabendo e aprendendo a cada dia, a reconhecer quando preciso repensá-las. Agora que serei mãe, começo a ver que essa característica me ajudará muito, pois se tem uma coisa que as pessoas gostam de fazer quando você está grávida ou tem filho, é de dar pitaco na sua vida como se fossem as donas da razão e você é que não sabe de nada.

Já estou sentindo os olhares, os comentários e as críticas aflorando, ainda discretamente, ao meu redor. E engloba tudo, desde os nomes pro bebê, as cores do enxoval e o tipo de parto. Eu sempre tenho o maior cuidado do mundo para não demonstrar estar julgando quando emito minha opinião, pois sei como é incômodo ouvir alguém, que nada tem com a sua vida, criticar uma escolha sua. Já estou com o botão do 'foda-se' devidamente pressionado, bem como a paciência sendo trabalhada. Mas acredite: tem limite. Então, se você está afim de me dar algum conselho, pense algumas vezes antes.

Os nervos estão à flor da pele. Não sei se pelos hormônios, mas o que tem me tirado o sono e o bom-humor são os enjoos. É, meus amigos, eles não param. Também, uma pessoa que sempre teve o vômito frouxo e que fica tonta dormindo de rede jamais ia escapar desse mal na gravidez. Seria muita pretensão!

Só eu sei dos meus medos, das minhas angústias, dos meus limites e das minhas possibilidades. Muito ainda vai acontecer. Posso mudar de opinião do dia pra noite, como também posso ser teimosa até os finalmentes. Só eu sei o que me faz bem, o que me deixa tranquila e realizada, independentemente do que a maioria diz. Sim, isso é um desabafo e um aviso. E acredite: agora uma outra vida está acima de tudo e de todos pra mim. Então, pitacos e julgamentos serão totalmente descartados. Óbvio que sei diferenciar uma ajuda de uma intromissão maldosa. Do mesmo jeito que também sei diferenciar quando uma ajuda dita se torna insistente na boca de quem, delicadamente, quer me convencer do que pensa.

Sei também que quando o baby nascer, tudo vai piorar. Tanto os 'palpites', como o meu poder de resposta. Se toda mulher quando se torna mãe vira uma leoa, imagina aí... Hehehe....

Mas por enquanto, tudo ainda está sob controle. Continuo me saindo bem nas respostas e me impondo sem precisar ofender ninguém. Posso ser impaciente, mas tenho jogo de cintura. Claro que o ideal seria não precisar responder, mas finalmente estou aprendendo que não tenho o controle de muita coisa.