Filha, 9 anos! Nove! Você está ficando uma mocinha linda e cada vez mais atenta, curiosa e inteligente. Já não tem mais tanta carinha de criança. Já consigo te ver grande, quase uma adolescente. As conversas estão mais maduras, mais “cabeças”, mais subjetivas e reflexivas. Seus questionamentos estão mais pertinentes e coerentes.
Por isso também, este último ano foi bastante desafiador. Você está mais audaciosa, enfrentando mais a gente, as adversidades e aquilo que vai contra o que você deseja. Até pouco tempo, minha preocupação era que você aprendesse a se impor mais, a se posicionar sem querer apenas pertencer e ser aceita.
Depois de muita conversa e discussões, começo a te ver mais dona de si, mais autêntica. A própria tia Dábula, sua professora, percebeu essa evolução e comentou em nossa reunião de conclusão do terceiro ano (Sim, eu estou escrevendo esse texto bem depois do seu aniversário kkkk). Agora é só aprender a dosar a forma de falar, com mais serenidade e educação. Como sempre te digo: você pode conseguir tudo o que quer, contanto que saiba falar com jeitinho.
Temos trabalhado muito no fortalecimento da nossa confiança em você. Filha, confiança é algo muito sério, precioso e construído por meio de comportamentos e atitudes, mas também é muito fácil de se quebrar e difícil de reconstruir. E meu maior desejo é que a gente tenha uma relação pautada em muita confiança, cumplicidade e amor.
Às vezes me pego lutando contra milhões de sentimentos que surgem no calor do momento para mantermos nossa relação com o mínimo de tensão possível. Tem sido um imenso desafio, mas aos poucos, já vejo surtir efeito.
Tento não levantar mais a voz para chamar sua atenção sobre questões cotidianas como arrumação do quarto, higiene e organização. Para mim, que sou muito organizada e extremamente higiênica, é uma luta diária conviver com alguém tão diferente sem perder a cabeça e ter que ensinar o que, pra mim, é tão óbvio e natural. Pro seu pai do mesmo jeito, mas ele ainda não achou o equilíbrio e a paciência necessários, então, além de lidar com meus impulsos, também preciso ajudá-lo a lidar com os deles.
Passo boa parte dos dias respirando fundo e me virando entre tentar aceitar seu jeito, te ensinar como melhorar, falar sem estresse e aguentar suas reclamações e atrevimentos. Está difícil, filha. Mas vamos conseguir!
Este ano, seu corpo também começou a mudar. Seus peitinhos deram os primeiros sinais. Você reclama que está dolorido, mas logo logo vai passar. Quero que você viva isso como a fase natural que é e pela qual todas passamos. Apesar de ser duro te ver crescer e deixar de ser criança, tento olhar a beleza do seu desenvolvimento e fazer dele o menos doloroso possível. E é por isso que eu faço tantos esforços.
Nas pequenas coisas, já começo a ver como tudo isso está valendo a pena. Tenho percebido você mais próxima de mim, contando mais comigo pra lhe ajudar, me procurando para tirar suas dúvidas e conversar sobre sua vida. Vejo você mais carinhosa, mais apegada e mais tranquila comigo. Espero que isso se fortaleça ainda mais e nossa relação seja de muito amor, confiança e cumplicidade durante toda a sua vida.
Este ano, você começou a dançar de ponta no ballet e a aprender a andar de bicicleta sem rodinha (está quase, mas precisa ter mais determinação e paciência pra conseguir totalmente). Na escola, está cada dia mais independente nas tarefas e tirando ótimas notas. Temos muito orgulho de você!
Te amo demais, meu amor!
Você é maravilhosa!
